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Aumenta venda de imóveis para estrangeiros
Fonte: O Globo
Eles não falam português, mas entendem muito bem a linguagem dos cifrões, milhões e polpudos percentuais de retorno. Cada vez mais estrangeiros vêm investindo no setor de imóveis brasileiro, atraídos pela forte expansão da economia. O volume de negociações nas imobiliárias disparou. Na Sotheby's International Realty, braço imobiliário da casa de leilões inglesa, as vendas devem quadruplicar até o fim do ano, chegando a R$ 400 milhões no país. 
O perfil é variado e a moeda é o milhão: executivos que vêm morar no país a trabalho; residentes no exterior que passam poucos meses aqui e alugam os imóveis no resto do ano; e interessados em ganhar com a rentabilidade do aluguel ou revender as propriedades. Os valores negociados vão, em média, de R$ 1 milhão a R$ 4 milhões, mas imobiliárias citam negócios de até R$ 12 milhões. No Rio, a maioria busca os bairros do Leblon e Ipanema. Segundo o Secovi-Rio, o metro quadrado no Leblon vale hoje R$ 13.997, alta de 44,9% sobre junho de 2010. Na orla, o valor pode saltar a R$ 18 mil. O valor médio do metro quadrado para locação no bairro subiu 38% no último ano, chegando a R$ 52,33. 
Segundo Michael Bamberg, no Brasil a taxa de retorno média é de 12% ao ano, o dobro da média da Alemanha. Outro fator de atração é o preço ainda relativamente mais baixo, se comparados ao de outros países no mundo. 
Diante da procura, imobiliárias criaram setores específicos para atender aos estrangeiros e procuram contratar funcionários que, além do inglês, falem até o mandarim. É o caso de uma corretora, onde o volume de chineses que batem à sua porta é crescente, reflexo da vinda de empresas como ZTE e Sinopec para terras cariocas. Na empresa, cada vez mais o atendimento on-line dá preferência a corretores que falem ao menos inglês ou espanhol. 
Em outra corretora, o volume de vendas para estrangeiros neste ano deve chegar a R$ 150 milhões, o que representará um crescimento de 32% em relação a 2010. Esse valor sobe para R$ 300 milhões, se forem levados em conta os investimentos em incorporações e empreendimentos imobiliários. Em uma corretora, especializada em imóveis de luxo, o Brasil é hoje o terceiro país mais consultado em seu site de vendas, atrás apenas de Estados Unidos e Inglaterra. 
A decisão de investir hoje em imóveis deve levar em consideração fatores como a previsão de alta dos juros, que vai elevar o custo do crédito, e até a falta de liquidez, afirmam especialistas. Para o economista Ricardo José de Almeida, os imóveis se valorizaram muito desde o início da queda das taxas de juros, em 2003, quando o volume de crédito aumentou e a procura cresceu. Mas ele acredita que a nova rodada de alta da taxa básica de juros leve o investidor de volta a aplicações de maior rentabilidade, ainda que com maior risco.
Já o professor de Finanças da PUC-SP Fábio Gallo não acredita que investir em imóveis seja uma boa opção para estrangeiros ou brasileiros, devido ao problema da liquidez.
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