Fonte: O Dia Online
Levantamento mostra que 30% dos ataques têm participação de pessoas do condomínio. Números revelam aumento nos assaltos a prédios no Rio.
O maior perigo para os roubos a prédios está dentro dos condomínios, seja pelo despreparo dos profissionais, pelos erros no uso dos equipamentos ou pela facilitação da ação dos bandidos por parte até dos próprios moradores. De acordo com levantamento da entidade, 30% dos roubos e furtos ocorridos têm participação de pessoas que estão dentro dos prédios.
Enquanto o carioca pensa em formas de se proteger em casa, o Insituto de Segurança Pública (ISP) revelou ontem dado preocupante: o índice de roubos a residências ocorridos em julho na capital subiu para 45, contra 24 registrados no mesmo período do ano passado.
Nos dois últimos ataques a condomínios: no Leblon, a câmera de segurança não grava as imagens, enquanto o equipamento da Tijuca não funciona, só ‘enfeita’ a fachada do prédio. Nos dois casos — que ocorreram em menos de 24 horas —, moradores ficaram sob a mira de armas durante horas, enquanto bandidos saqueavam os imóveis.
A falta de obstáculos alimenta a ousadia dos roubos. Recentemente, bandido acenou para a câmera de prédio em Ipanema, após furtar o que queria. Dias depois, outro ataque: um carro foi arrombado dentro do edifício e um morador teve seu laptop levado. A delegada Tércia Amoedo, da 14ª DP (Leblon), não tem dúvidas de que seja o mesmo criminoso. “O modo de agir foi o mesmo, a mesma audácia.
Pelo levantamento do Secovi, os bairros mais visados são Leblon, Ipanema e Lagoa, todos na Zona Sul. A justificativa seria o alto poder aquisitivo dos moradores e a facilidade de fuga pela proximidade das favelas.
Quando um prédio em Copacabana foi invadido e moradores viraram reféns por cinco horas, o relações-públicas do Batalhão de Operações Especiais (Bope), capitão Ivan Blaz, afirmou que o combate a alguns tipos de crimes gerou migração dos bandidos para a prática de outros delitos. O chefe de Polícia da Capital, delegado Ronaldo Oliveira, acredita no ‘efeito sanfona’ da criminalidade. “Enquanto a polícia ‘sufoca’ crimes como roubo de carros, pedestres e tráfico, os criminosos podem, sim, tentar fazer ganhos de outra forma”, diz.
O delegado ressalta que no Rio não há quadrilha especializada em roubos e furtos a residências. “O que tem são aventureiros, jovens com idades entre 17 e 25 anos, ligados ao tráfico. Eles pegam armas emprestadas com traficanes e, após os roubos, dividem o lucro para pagar o empréstimo. É um trabalho complexo, mas estamos investigando e atacando”, garante Ronaldo Oliveira.
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