Fonte: O Estado de São Paulo
Os preços pareciam altos há dois anos, afinal o Leblon já era o bairro mais caro do Rio de Janeiro. Mas a decisão da arquiteta Carolina Ferreira não podia ter sido mais acertada: os R$ 400 mil investidos num dois quartos na quadra da praia praticamente dobraram no período. A alguns passos dali, na orla, o metro quadrado já está em R$ 30 mil, três vezes mais do que o preço médio do bairro mais valorizado de São Paulo, o Jardim Europa.
Pesquisa do Secovi-RJ, feita para a Agência Estado com base em mais de 5 mil imóveis negociados na cidade, mostrou que, desde o ano passado, a disparada de preços fez o Rio ganhar quase 60 mil novos milionários apenas na zona sul. É gente que, se vendessem seus imóveis, poderiam botar mais de R$ 1 milhão no bolso.
Mas se no País inteiro fundamentos sólidos alçaram o mercado imobiliário a um novo patamar de preços, a perspectiva de investimentos por conta de Copa do Mundo (2014) e Olimpíada (2016) colocaram a zona sul do Rio no centro do boom imobiliário nacional. Outros fatores que contribuem para isso são a falta de terrenos para construir e o foco de investidores no mercado de alto padrão da cidade, a mais conhecida entre os estrangeiros.
Mercado de luxo. Investidores estrangeiros, que despejaram dólares e euros no mercado imobiliário da cidade, ajudaram a impulsionar os preços no setor de luxo, conta Torres. O consultor diz estar recebendo muita demanda tanto de amigos que querem ter um apartamento na cidade quanto de grandes investidores atrás de terrenos para construir hotéis para a Copa e a Olimpíada. Segundo Torres, os estrangeiros compararam o preço do metro quadrado do Rio com o de outras grandes cidades do mundo e chegaram à conclusão de que havia muita pechincha na cidade. O movimento é especialmente forte na Europa, onde virou um certo modismo comprar apartamento no Rio, conta ele.
Segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), consultoria privada que faz levantamento de preços no setor, o metro quadrado mais caro de São Paulo chega, no máximo, a R$ 15 mil.
Corrida especulativa. O cenário é mais agudo no Leblon, 97% dos apartamentos de quatro quartos foram negociados neste ano por mais de R$ 1 milhão, diz o Secovi-RJ, que representa 860 empresas entre administradoras e imobiliárias.
Mas, apesar de especialistas apontarem indícios de corrida especulativa em casos específicos como em algumas áreas do Rio, e de investidores visando ao lucro disputarem espaço com quem usa o crédito farto para realizar o sonho da casa própria, o mercado não aposta que haja uma bolha prestes a explodir pelo País. Há consenso de que o Brasil está chegando a um novo patamar de preços, mais alto.
Mesmo com o aumento expressivo dos financiamentos da Caixa Econômica - de R$ 5 bilhões em 2003 para uma previsão de R$ 60 bilhões este ano, com prazo de até 30 anos - o crédito imobiliário no Brasil está em apenas 3% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto na Chile está em 20%; nos Estados Unidos em 67%; e no Reino Unido em 75%.
O maior motor de crescimento do financiamento é concentrado no setor de baixa renda. Já os excessos estão sendo percebidos em áreas nobres e saturadas. Mesmo assim, não há apostas de baixa até a Olimpíada de 2016. Silva, da João Fortes, acredita que a valorização dos imóveis na zona sul do Rio pode desacelerar, mas não aposta em queda de preços. "O mercado é escasso e não tem para onde crescer. Falta oferta."
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